Jornada Brasileira de Imagens ao Vivo

Entre a partitura e o improviso………………. Fortaleza, de 13 a 23 de setembro de 2010

Como foi pensada a Jornada de Imagens ao Vivo

Esta jornada foi pensada de forma a funcionar, além do entretenimento que é, como uma intervenção cultural em Fortaleza. A proposta é oferecer elementos para que estas práticas sociais possam se desenvolver com regularidade e consistência em Fortaleza, seja subsidiando artistas e técnicos, seja ampliando o repertório do público ou descortinando as questões estéticas e sociais para todos os interessados.

Selecionando os trabalhos

A mostra selecionou trabalhos que já podem ser considerados antológicos tanto por suas características artísticas quanto por suas participações num muito recente e já histórico momento de surgimento de um circuito dedicado a este tipo de prática estética; Por outro lado, acrescentamos criações audiovisuais realizadas em Fortaleza recentemente em Fortaleza,  sinalizando um estado da arte local.

Outra proposição é apresentar, dentro dos recursos disponíveis, uma maior diversidade de proposições estéticas e tecnológicas, de forma  a levar o público a compreender e se nutrir da natureza multiforme das práticas de edição ao vivo e das questões estéticas envolvidas. Daí a presença de propostas  diferenciadas. Há narrativa hipertextual, montagem musical, cinema abstrato, de produção de imagens sintéticas, interação corpo-imagem, todas convergindo na conciliação entre planejamento e improviso, na valorização da pesquisa experimental e na intimidade com os recursos tecnológicos, tão evidentes em softwares e interfaces desenvolvidas especialmente para várias obras que serão apresentadas.

Tensionando as palestras, debates e oficinas

As palestras e debates procuram oferecer para os participantes um quadro da produção das imagens ao vivo no mundo e mais especificamente no Brasil. A idéia é mostrar artistas, obras,  processos de criação colaborativos, eventos, financiadores, enfim, como acontece a emergência deste novo campo artístico.

Demos especial atenção à discussão e aprendizagem sobre softwares., condição básica para a divulgação da prática. Teremos oficina de apresentação dos programas Quase-cinema, Walking Tools e do soft-interface Engrenagem.  Vagas foram reservadas para  exibidores populares e alunos do cursos de Cinema. Além disso foi prevista uma mesa para discutir especificamente a relação entre  “Softwares, interfaces digitais e as práticas poéticas do Audiovisual ao Vivo”. O software em si é um objeto  (um dispositivo artístico) ou um suporte para processos artísticos? Certamente, estes momentos servirão para jogar luz para questões como essa.

Pensando politica e afetivamente

A expectativa é também de pensar sobre os caminhos para a gestão política das inter-relações entre arte, ciência e tecnologia. Como facilitar o desenvolvimento de redes e ambientes criativos com tal interdisciplinaridade? Como pensar em culturas que sejam estruturalmente mais preparadas para a fluidez das novas práticas estéticas? Como pensar em políticas públicas culturais que contemplem as novas sociabilidades decorrentes da informatização do cotidiano? Finalmente, há um desejo de que os encontros contrariem a noção de consumo cultural. Que a possibilidade de encontros, de diálogos, de imaginação cultural se instaure.

Já temos um passado

Patrícia Moran,  convidada que fechará a nossa jornada, escreveu um artigo entitulado “Já temos um passado” sobre a Mostra Live Cinema levada à frente por (DuVa e Marcia Derraik,  outra de nossas palestrantes). No texto relembra edições passadas e eventos marcantes da produção de imagens ao vivo. A conclusão cabe como uma luva para o que viveremos aqui em Fortaleza:

Arte e ciência para a experimentação, para o encontro com o imprevisível, com improvisos. Não me arrisco a falar que imagens teremos em cada apresentação, em que paisagens visuais vamos mergulhar. Espero tudo! De algoritmo auto generativos a uma imensa tela se derretendo a nossa frente, mas não derretendo de cima para baixo, não respeitando as leis da gravidade, mas derretendo para dentro, e ao derreter revelando outra, e mais outra paisagem. Estamos diante de performances audiovisuais resultado da mistura entre ferramentas digitais, eletrônicas, mecânicas e artesanais, uma síntese atualizada das vanguardas dos anos 20 e dos anos 60 do século XX.

Patricia Moran

Leia o artigo em http://www.livecinema.com.br/blog/241

Por que uma Jornada de Imagens ao Vivo?

A produção de Imagens ao Vivo propõe uma nova forma de fazer e interagir com imagens e sons. Além da edição em tempo real, diante dos espectadores talvez, outra característica desta arte parece se afirmar com igual potência: são resultantes de um processo de afirmação de autonomia por parte de criadores, produtores e públicos diante das normatizações do sistema de produção e exibição dominante constituído e projetado a partir dos Estados Unidos.

Na América Latina, o Brasil tem se destacado na produção de obras deste tipo. Nas mostras anuais que se sucedem em São Paulo e Rio de Janeiro mais de quarenta artistas já se apresentaram. Este ano o Itaú Cultural levou mostras mais simplificadas para Curitiba e Belo Horizonte.

Bruno Vianna recria a cada sessão o filme Ressaca

Percebemos também em Fortaleza a necessidade de lançar olhares sobre essas práticas audiovisuais que não correspondem aos padrões desenhados e desejados pela grande indústria. Interessa–nos evidenciar a produção de Imagens ao vivo, esta forma de produção criativa impossível de ser assimilada pela atual disposição da indústria cinematográfica.

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